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molhamos o bico em tudo...bem, tudo não...quase tudo!

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Porque não gosto do Algarve 

Passei o Carnaval no Algarve. Não para andar em grandes festas, mas para descansar. Estive na zona de Albufeira e fui almoçar a Vila Moura. Um restaurante normalíssimo, com mesas entre o que poderá ser interior, mas ao mesmo tempo exterior, uma vez que ocupa o passeio.
Comida normalíssima, tempo de espera um pouco para o muito, mas ainda assim suportável. A conta final é que me faz convencer que não vale a pena andarmos a enganarmo-nos. Eles querem mesmo chupar-nos até ao tutano.

400 gramas de Dourada por 16 euros, faz com que o preço do Kg seja a 40 euros, ou seja 8 contos!!!! Mais palavras para quê??? É comer, e calar, para não voltar....

O CARRASCO DE SANTANA 

No congresso do PSD alguém se sentiu fora do barco, e manifestou-se contra Santana, arrastando consigo alguns daqueles que , em alturas como estas deveriam estar ao lado daquele que, incondicionalmente, ajudou Durão Barroso e o Presidente da República. Esse alguém, pequeno no físico, mas raposa velha nas artimanhas políticas, foi Marques Mendes.
Não estou aqui para defender Santana, nem ele precisa das minhas defesas. Estou aqui para dizer que não sou parvo ao ponto de não perceber a razão das notícias das dicas dum tal "Silva", das críticas de Marcelo, dos malabarismos de Freitas do Amaral, do afastamento de Ferreira Leite e Leonor Beleza, entre muitos outros que se habituaram a, quando não lhes dão a "chucha", atiraram facadinhas às costas dos seus correligionários.
Santana agarrou um barco em águas agitadas, quando o timoneiro lhe pediu ajuda, uma vez que estava ceguinho para passar para o "porta aviões" europeu. Aqui, Santana, foi burro, como um tal de Isaltino. Ambos se deveriam ter deixado estar nos seus postos de retaguarda, como Luís Menezes e Rui Rio, senhores do seu pequeno mundo, onde continuam a ser admirados e prontos a agarrarem o leme assim que a oportunidade chegar.
Santana cometeu a "gafe" de querer ajudar o amigo, levado por aquela paixão (a paixão é irracional) que lhe conhecemos, na altura em que este, Durão, vislumbrava a sorte grande, sem ter que fazer nenhuma cruz.
Só que esqueceu-se que, um barco em tempestade, precisa muito mais dos ajudantes, marinheiros, que do homem do leme, porque o principal objectivo é segurar o barco à tona, mais que guiá-lo. E foi isso que aconteceu. De repente, o timoneiro estava sozinho, porque os marinheiros tiveram medo de irem ao fundo naquele barco e fugiram das suas responsabilidades, para não serem conhecidos e surgirem mais tarde, num barco diferente, como vitoriosos (hipócritas!), e senhores varões do sistema.
Perdeste, Santana. Porque a tua paixão (como sempre, na tua vida) te faz pensar demasiado a quente, sem reflexão mais profunda. Não quer dizer que não seja um importante e necessário timoneiro. Já o provou. Mas, para a próxima terá que analisar todo o pelotão e ver se não tem por ali uma cambada de cobardolas, prontos a fugir ao primeiro abanão.

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Sondagens? Para quê votar? 

Vinha a ouvir as notícias na rádio e dizia o locutor que o PS iria ter a maioria absoluta, que o PC iria ser a 3ª força política, que o CDS ia aumentar e que o BES também, ou seja, o que vai perder é o PSD.
Com isto tudo, parece-me que an damos a estragar o pouco dinheiro que nos resta em eleições que não são necessárias. Punha-mos uma dúzia de telefonistas a pedir informações a uns milhares de votantes, faziamos umas não sei quantas contas e atiraríamos para o público ( burro e estúpido, como eu) os resultados e fazendo crer que era essa a vontade geral.
É a mesma coisa que dizer que os comícios são representativos do povo votante. Façamos contas. 20 dias de comícios. Nem que em cada um estivessem 10 mil pessoas, depois dos dias todos não estariam mais que 200 mil pessoas, ou seja, 1/3 dos desempregados do País. O País somos 10 milhões (mais ou menos). Onde estão eles? Felizmente que são a maioria, onde me incluo.
Irei votar, mas desde já aqui digo. Se ganhar o PS, pelo mal que me fizeram desde 1995, o melhor que me resta é emigrar. Por isso, caros amigos, a partir do momento em que ouvi esta notícia sobre as sondagens, já comecei a arrumar a "mala de cartão", porque certamente vou partir...

Ao Sr. Sócrates: 

Quiz entrar no Blog deste artista político. Como não consegui enviar este comentário, ele aqui fica registado, independentemente de ele vir a ganhar ou não as eleições:
"Em 1995 votei mudança. Cavaco tinha-me matado a esperança.Outubro 1995 pensei que tudo ia ser diferente. E foi. Fui traído pela imbecilidade que se apodereou de muitos lugares do Governo, concretamente, do IPPAR, que destruiram a minha vida e da minha família. Você tem filhos e deverá saber o que é sentir, em 1995, o mais velho a terminar o curso de arquitectura e os outros dois a terem quew ir trabalhar porque não podia continuar a ajudá-los. A família a desmoronar-se e a viver hoje sozinho e com uma situação económica desastrosa provocada por esses dois senhores. Por isso não perdoo ao PS. Por isso, a minha revolta de home de esquerda que ainda guarda os primeiros crachás de 75, do PS, que sempre falou aos filhos que era o PS o melhor e que se vê traído, em 1995. Até Hoje. Por isso, sr. Sócrates, só desejo que não ganhe. caso contrário, ou serei preso, por alguma desorientação psicológica ou terei que partir para fora, porque já não aguento mais a forma como tenho sido tratado. Os 10 melhores anos da minha vida estão destruçados e eu não posso perdoar a essas duas criaturas que me destruiram. Por isso, Sr. Sócrates, só peço que não ganhe. Deus queira que a Irmã Lúcia o ajude a perder. É o meu maior desejo neste momento. É um desejo de raiva e de revolta, porque me sinto tremendamente injustiçado."

Sobre as Irmãs Carmelitas 

Sobre este tema encontrei algo no Blog Vareta Funda, que não é aquilo que penso, embora, de certa forma, possa concordar com alguns pontos do articulista.
Como não consegui entrar nos comentários, aqui fica este texto e o meu comentário ao mesmo:
De "http://www.varetafunda.blogspot.com" , by "mimosa":
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"Não me perguntem qual o motivo, porque seria entrar em algo que não quero aqui focar, mas há uns anos atrás, fui com o meu pai, a uma igreja em Compostela. Era mais uma que eu visitei, e como tal, não estava sequer preparado para o que iria encontrar.
Esta igreja, ou antes, um pequeno convento, albergava uma comunidade que tinha por nome:
Carmelitas Descalças.

Nada de mais, até termos batido à porta. Num pequeno hall, fresco, lúbregue, fechado, encontrava-se a campainha. Tocámos. Aliás..puxámos. Era uma "sineta".
Junto á porta, firme, poderosa, grossa, velha, havia um pequeno postigo, mas que estava chumbado. Junto à porta, e nas paredes de pedra, estava entranhado um sistema feito de madeira. Era como que um balde, dividido em 4 partes iguais. Perguntei ao meu pai para que servia...Nesse preciso momento toca um sino no interior do convento. Silêncio sepulcral.

Nisto, o "balde", como que por magia, roda sobre um eixo...e ouvimos a pergunta ( em espanhol ):
- Quem é?
Ao que o meu pai, fez questão de responder.

Mais um toque do sino. Novo silêncio. 1 minuto depois ouvi o rodar de uma chave...3 trincos...de novo outra chave...novos 3 trincos.
Eis que finalmente surge alguém. Aliás... duas senhoras. Duas irmãs carmelitas, com as suas vestes que naquela comunidade, eram de cor muito escura ( tinham também aquelas "abas" que não sei o nome próprio ). Cumprimentaram-nos com um aperto de mão...o meu pai apresentou-me. O nosso propósito no local, tinha a ver com o trabalho do meu pai, que teria que ser feito no piso superior da igreja, no chamado "balcão". Para acedermos a este piso, tivemos que entrar num monta-cargas sem qualquer tipo de protecção, completamente arcaico, que se encontrava numa sala escura, por onde entrava um feixe de luz....tenso..frio.

Quando chegámos ao primeiro piso, aconteceu talvez uma das coisas mais surreais com que me deparei desde que provavelmente nasci. Uma das irmãs, ao sentir a nossa presença, e porque acidentalmente nos cruzámos com ela na intersecção de dois corredores, puxou a túnica para a cabeça, tapando a cara e a face, e curvou-se quase que tocando com a palma da mão no chão, e correu rapidamente para a sua "cela". Foi, talvez a vez em que me senti o pior ser humano, e que percebi talvez aquilo que os "mosntros" sentem, ou talvez mesmo, senti ali que eu estaria mais perto do Diabo do que do próprio Deus que ali veneravam.

Só contactámos com 3 pessoas naquele convento. Duas que tinham essa permissão, e esta outra que passou por nós, como o vento. O meu pai acabou o seu trabalho e saímos. Não sem antes, elas terem jurado que iriam rezar pela minha saúde, e me oferecerem um porta-chaves que guardo ainda hoje. Antes de fecharem a porta, cada um pegou numa chave. Saímos. Ouvi uma chave a rodar...3 trincos. Posteriormente outra. 3 trincos. Subimos as escadas. Entrámos no carro. Viemos para Coimbra.

Foi então que no Caminho, finalmente consegui falar com o meu pai, e me apercebi que não tinha aberto a boca uma única vez depois de ter entrado naquele local. Obtive então a explicação sobre aquela comunidade, que aquele "balde" servia para se colocarem os alimentos, porque as irmãs nunca iam à rua fazer compras...que a porta tinha dois trincos, porque aquelas duas irmãs eram responsáveis cada uma por uma chave, para evitar que alguém fugisse...etc etc...

Morreu dia 13 a irmã Lúcia. Faleceu na minha cidade...onde "vivia" no convento de Carmelo há talvez 50 anos ( não sei bem, e sou sincero...não ouvi ainda nenhuma notícia ). Sempre que ali passava de carro, junto ao convento, lembrava-me das outras irmãs que talvez estivessem a rezar por mim. Dava-me um certo conforto pensar nisso. Provocava-me uma certa tensão, imaginar como viveria a irmã Lúcia, porque soube de perto como é que as Carmelitas vivem...o que é o enclausuramento. Parece uma palavra complexa, mas viver a palavra será porventura um dos maiores sacrifícios de um ser humano.

Por opção ou não, Lúcia viveu enclausurada. Por opção ou não, Lúcia quis viver como uma Carmelita.
Uma Carmelita certamente, e pela forma como viveu toda a vida, não gostaria depois de morta - e acreditando piamente que estaria em viagem para o céu -, ser alvo de toda esta pseudo-homenagem, de acto exposto contínuo, que mais parece ser para alguém tipo "princesa Diana", do que para um ser humano que viveu sempre arredada de todas as privacidades por homenagem a Alguém em que acreditava. Pelas suas convicções. Pelo seu trabalho. Pela sua fé.

Por tudo isto é que penso que o Catolicismo está em desuso. O Catolicismo é triste. Não só porque não se conseguiu desenvolver e adaptar a uma nova realidade, como também, quando essa "antiguidade" se vê confrontada com os dias de hoje, dá neste festival de absurdos a que as Carmelitas não precisavam de assistir.
É que ninguém pense, que elas têm voz de protesto, ou vêm para a rua dizer que não querem esta exposição de uma das "suas".

O povo não entende. Confundem feiras com homenagem.
Não sabem que a maior homenagem é deixar a Lúcia ir ter com os seus...e falar de novo com Fátima!

P.s. - Por tudo isto me questiono se ainda tenho fé suficiente para continuar a ser católico! "

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O meu comentário:

Caro amigo,
Compreendo a forma sincera como se apresenta neste texto.Confesso que também eu muitas vezes me sinto confuso. No entanto, é nas horas difíceis que se procura um amigo. E muitas vezes esse amigo está num imaginário próprio de quem tem sempre mais um pouco de esperança em algo...
As irmãs Carmelitas têm o direito de viverem a sua vida da forma como optaram, tal como outro ser qualquer o tem. Que é que eu tenho a ver com alguem querer ser homossexual, por exemplo, ou passar a vida debaixo da água à procura de peixinhos, ou passar a vida nos trópicos, ou ser camicaze, eu sei lá que mais? Há muita forma de nos tornarmos realizados.
As Irmãs Carmelitas admiro-as pela sua pureza de vida, essência de procura, essência de princípios, despreendimento da vida natural. É uma opção difícil, mas que uma vez tomada se tem que aceitar. A sua vida interior faz-nos pensar que, por vezes, somos mais ricos sem nada à volta, do que a abarrotar de presunção e água benta.
A experiência que tiveste um dia, é pouco, comparada com a vida da irmã Lúcia. Só quem conviveu dia a dia com uma alma como essa se pode sentir numa felicidade diferente. Nem é felicidade, é outra coisa indecifrável. Hoje, o problema é que tudo o que roda à volta de Fátima não é a pureza de Lúcia mas sim a ambição do homem que encontrou em Fátima o filão para a sua ambição desmesurada de cretino capitalista, a começar pela própria organização do Santuário. Bastará conhecer todos os meandros das várias minas para onde são canalizados os milhões que diariamente ali caiem. Mas os pobres, esses continuam pobres, como sempre. Amen!

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