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molhamos o bico em tudo...bem, tudo não...quase tudo!

domingo, março 27, 2005

27 de Março - Viva o Teatro!!! 

Estive durante algum tempo ligado ao teatro. tenho como amigos muitos dos ligados a esta arte. Eu próprio (mal) e meus filhos têm colaborado e participado.
O Grupo "O Bando" foi e é, para mim, um grupo exemplar da vida dedicada à arte. Ao João Brites e sua turma aqui deixo um grande abraço.
À "Eunice" e ao "Raul", aqui símbolos duma grande turma de actores, de verdadeiros actores e actrizes, as minhas palmas pelo muito que nos têm deixado, pelo muito que têm dado ao teatro.
Infelizmente não posso deixar de dizer outra vez : "Baaaaaaaaaaaaaaa!....." por todas essas "Quintarolas das Enfermidades" que nos tentam impingir a toda a hora, nesse quadradinho, que alguns pensam que são os donos. Não é, Moniz das ilhas?
Viva o Teatro!!!!!!!

leis sem lei nem loque... 

Eu tenho muita pena, mesmo muita pena de ter muitos dos nossos "fazedores de leis", porque são incompetentes. Pronto. Que mais dizer deles? Incompetentes e já estou a tratá-los bem de mais.
Na auto estrada os anúncios luminosos indicam: "Dia 26 de Março novo Código da Estrada". Nos jornais, " multas do código foram sensivelmente aumentadas e terão que ser pagas no acto....", na televisão, " DGV encomenda sondagem que diz que 6 em cada 10 portugueses dizem que as multas até são baixas...".
Eu, por aqui e por ali, eu próprio, português real , parece-me que anda tudo a gozar connosco, ou então, passeiam-se de carro do Estado e estão-se marimbando para nós.
Como é que alguém com coerência de pensamento pode deixar que isto seja assim? Como é que se pode deixar sair uma lei sobre o transporte de crianças que nunca pode vir a ser correctamente aplicada? Mas andamos a brincar às leis, ou a fazer traduçõezinhas de leis de países utópicos? O problema das cadeiras só aparece porque deve andar por trás algum "lobi" grande dessas indústria.... Quer-se dizer, crianças até aos 12 só de cadeirinha. Aqui a Dona Conceição com 10 filhos, 6 com menos de 12 vai-se ver grega.... Mas se for de taxi já não há perigo... E no autocarro que passa ali à porta também não... E se o automóvel for de 2 lugares também não.... E se eu quiser levar os meus netos, ou algum amigo com filhos, tenho que ir comprar umas quantas cadeiras...Vão gozar com o catano!!!!
E depois os pagamentos!!! Os legistas deveriam passa um ano a ganhar os vencimentos reais da maioria dos portugueses, a ver se a percentagem que a DGV emitiu, só para anedotar o país, teria alguma semelhança. Eu não fiz nenhuma sondagem, nem preciso para concluir que 9 em cada 10 portugueses acha que isto é um absurdo. É que sondagens como a que saiu deve ter sido feita entre os elementos da Direcção Geral da DGV. Só pode....
E pagar no acto.... Quantos de nós, país real, andamos na estrada à procura de quem nos pague ou de conseguir acabar um trabalho a ver se se consegue receber algum, quantas vezes com o dinheiro contado para o combustível e uma bucha no restaurante mais barato? E quantos ganham mais que o ordenado mínimo? As coimas são já, há muito, absurdas e irreais. Por isso os milhões de multas actualmente por pagar, porque ou são injustas ou estão fora do contexto real da maioria de nós. Uma multa mais de 100 euros (20 contos) é penosa para a maioria dos Portugueses. A maioria dos Portugueses tem as verbas mais que limitadas, devido à sua própria vida, a casa, os filhos, as despesas fixas. Mais que 100 euros é para alguns insignificante, mas para a maioria?
Depois, o combustível... Andamos a pagar milhentas vezes mais do que devíamos. É tudo impostos. Dizer que o crude está caro, que nunca esteve a 56 euros o barril é ser falso, porque esquecem-se de dizer que nunca a relação euro-dólar esteve como está. Porque não nos dão o preço em euros?
E depois as portagens... A incoerência de se pagar pela altura, como se gastássemos somente o ar e não o alcatrão...
E aquela do utilizador, pagador, como se aqueles que vêm das ilhas pagassem as viagens ao preço justo e não fóssemos nós que já pagamos, como se as refeições dos nossos digníssimos governantes e deputados, a um preço insignificante (entre 5 e 10 euros) não fosse suportado por todos nós...
Sim, porque o país precisa não é de leis como estas, mas sim de educação e cultura, que deveria começar por aqueles que precisamente fazem leis sem rei nem roque....
Baaaaa!!!!!!!!!......

terça-feira, março 15, 2005

comprimidos, compromissos, compras, consumismo... o desperdício.... 

Hoje, 15Março, foi o dia do Consumidor.
Ontem, 14, a TSF, lançou, no Forum da manhã, a discussão sobre se os comprimidos que não necessitam receita médica devem ou não vender-se fora das farmácias.
Gostaria de ter participado. Inscrevi-me, mas como não me chamaram, aqui deixo a minha opinião, até porque se integra bem na reflexão do dia que hoje se comemora.
Este País está cheio de interessezinhos de grupos, que não quer perder regalias que lhe foram dadas há séculos. As Farmácias existem organizadas da forma que já existiam no outro século, quando o farmacêutico era o químico que fabricava a "mezinha" receitada pelo médico. Ainda hoje algumas ostentam, museologicamente, aqueles frascos com rolhas de vidro, onde eram guardados todos os compostos necessários.
Hoje, as coisas são muito diferentes em todos os aspectos. Os medicamentos revolucionaram-se, vulgarizaram-se, assim como, o cliente evoluiu e já tem conhecimentos totalmente diferentes sobre as regras de medicamentação.
Mas os farmacêuticos, pessoas bondosas, não estão pelos ajustes, quanto a retirar-se-lhes o monopólio... Ele é porque as pessoas são umas inconscientes, uns ricalhaços que vão começar a comprar às dezenas de embalagens, ou vão ser mais frequentes os suicídios, porque as pessoas vão ter mais à mão os remédios.
Pois, meus amigos, o raciocínio está errado e é preciso urgentemente alterar toda esta vergonha. Eu não votei em Sócrates, mas depois dele ter dito o que disse sobre este assunto, e se o cumprir de imediato, terei outra forma de análise sobre este novo 1º ministro.
E não é só o problema da abertura da venda em supermercados e postos de abastecimento de combustíveis com loja ou outros lugares onde as condições para tal sejam exigidas. É o gravíssimo problema da quantidade de comprimidos das embalagens e da forma como fica a embalagem exterior, depois do farmacêutico retirar aquele pedaço de papel que irá justificar a percentagem que receberá do estado ou do utente. Depois disso, a maioria das caixas deixam de o ser verdadeiramente, pois ficam com um buraco, ou sem tampa, ou meia tampa, ou sei lá?


A minha gaveta da casa de banho é uma verdadeira farmácia, onde de vez em quando tenho que dar uma limpeza. Por exemplo, tenho agora aqui o remédio Betaserc 16 mg - embalagem de 60 comprimidos. Sabem quantos tomei? 2.
Outro, Aulin, 100 mg - 30 comprimidos. Tomei 7. Aqui tem o buraco deixado depois de retirar a dita película.
Será justo andarmos a comprar milhentas vezes mais do que o necessário para a doença? Já uma vez falei disso. As embalagens deveriam estar divididas em unidades individuais, de 2, 5 ou 10. E bastava. Ganhávamos nós, ganhava o País, ganhava o ambiente ( adivinhem para onde vão milhões de comprimidos pelo país todo - para a sanita!!!!!!) . Além disso, se o senhores farmacêuticos estão tão preocupados com o problema dos suicídios ( na vez de todos nos preocuparmos de quais as causas porque eles são tão frequentes em Portugal) a primeira coisa que deveriam de ter em conta era precisamente neste grave problema - o desperdício farmacêutico. Senhor Primeiro Ministro, agarre no problema a sério. É que só assim sobrará alguma coisa para pagarmos de impostos...

domingo, março 13, 2005

O Abel ou uma saúde sem sistema.... 

Isto não é um poema.
É uma pena! É um desabafo poético, rasgado de raiva, de dó, dum País que nunca mais se encontra.
Dum País que nunca mais ganha vergonha. As pessoas, nós, os humanos lusitanos, merecemos mais, muito mais que o Abel.
Aqui fica o testemunho, retirado por aí, duma página solta...
-------------
13mar2005
....
"O Abel Reis
do Pessegueiro
foi hoje a enterrar.
72 anos.
Uns anitos, mas poucos
para a esperança e a força
que procurou para que a vida
o não deixasse.
Mas o Abel morreu
porque quiz morrer,
o Abel morreu
porque o deixaram morrer,
o Abel morreu
porque o sistema de saúde
o deixou morrer como ele quiz.
O Abel
somos nós.
O Abel
pode ser cada um de nós
se continuarmos a deixar
que o sistema de saúde seja uma...
não digo, porque parece mal.
O Abel
não tinha viatura.
Era o taxi
que o levava,
que o levou
a tudo quanto era médico
à procura de solução
para o seu problema de saúde.
Domingo,
sim, domingo passado,
o Abel vai para Ansião
à procura de solução,
sem solução,
Avelar, sem solução,
Coimbra... mandam-no embora...
sem solução.
O Abel volta a sua casa
e diz à mulher:
deixas-me morrer
aqui em casa ao pé de ti? –
Eu não quero que morras,
mas se assim queres fica aqui.
O Abel sentia
que o fim estava próximo.
O sistema de saúde
abandonou-o.
A poucos minutos do fim
ele confessava: -
Sabes Clara, morro feliz,
porque pedi à minha mulher
para morrer aqui
e ela não se importa...
Podemos dizer tudo,
podemos fazer milhentas obras,
podemos ir à lua,
mas o Abel morreu
porque na minha terra
o que mais temos
são cemitérios,
capelas mortuárias...
O Abel morreu
porque na minha terra
não há um médico,
um enfermeiro...
O Abel morreu porque quiz?
O Abel morreu feliz?
O Abel morreu
porque a saúde da minha terra
continua enferma...
Paz à sua alma.”

quinta-feira, março 10, 2005

BUROCRACIA NEGRA 

Do blog GUILHERMINA SUGGIA ("http://suggia.weblog.com.pt/") retiro esta anotação que me parece um espelho nítido da miséria de ser Português:
....
GUILHERMINA SUGGIA NÃO DEIXOU DESCENDENTES E A BUROCRACIA É NEGRA, NEGRA, NEGRA...
.......
Fiz o Pedido do certificado de admissibilidade, no Registo Nacional de Pessoas Colectivas, da Associação Guilhermina Suggia.
Passados dias contactei aqueles serviços para saber se o mesmo tinha sido despachado favoravelmente. Atendeu-me uma senhora, simpática aliás, que me perguntou o nº do processo. Eu dei conhecimento desse número. Aguardei uns segundos e a senhora diz:
"-É um pedido feito por... para a criação da Asoociação Guilhermina Su... Su... qualquer coisa que eu não sei ler"
-Suggia, disse eu.
-Isso, Suggia. Ora temos aqui um despacho a pedir autorização do uso do nome desta senhora. Esta senhora tem que escrever uma declaração a autorizar o uso do seu nome na constituição da Associação.
- Mas essa senhora, que foi uma das mais importantes figuras da música que Portugal teve, morreu vai fazer 55 anos, em Julho.
- Terão que ser os descendentes a autorizar o uso do nome
- Mas a senhora não deixou escendentes
- Vai ter que fazer prova disso.
- E como vou provar o que não existe? É difícil. Se tivesse deixado era mais fácil.
- Mas como sabe que não deixou descendentes?
-Existem livros escritos sobre Guilhermina Suggia onde isso é referido.
-Então escreva uma carta para cá a explicar tudo isso e faça referência a esses livros.
Assim fiz. Escrevi. Expliquei . Referi os livros de Fátima Pombo. Transcrevi parte de uma entrevista feita após um concerto, depois da morte do marido, em que lhe perguntam como se sente. "Sózinha. Muito sózinha. Apesar de ter muitos amigos não tenho um único parente no mundo".
Passados dias voltei a contactar os serviços. Fui sempre muito bem atendido. Disseram-me:
-A sua declaração não foi aceite. Uma vez que a senhora deixou testamento (eu tinha feito referência a isso) terão que ser os herdeiros a autorizar o uso do nome.
Existe apenas uma herdeira viva: a sua aluna Sra. D. Isabel Cerqueira Millet.
Contactei a senhora, através de sua filha, e a senhora fez uma declaração autorizando o uso do nome na Associação Guilhermina Suggia, da qual irá também fazer parte.
Fui entregar a declaração.
Passados 3 dias, conforme me disseram, voltei a contactar aqueles serviços.
A declaração não tinha sido aceite. A senhora vem referida no testamento como ISABEL.... e a declaração que fez diz MARIA ISABEL...
Havia que apresentar uma declaração do notário a certificar que era uma e a mesma pessoa.
De novo contactei a senhora que fez nova declaração dizendo ser a mesma pessoa.
A filha da senhora foi ao notário. O notário exigiu que a declaração fosse feita presencialmente.
A senhora tem perto de 90 anos, doente e impossibilitada de sair de casa.
-Mas pode ir um funcionário do notário a casa.
Pois pode. Mas tudo isso custa dinheiro. A Associação não existe sequer. Não tem dinheiro.
Eu próprio paguei €58,15 para pedir o certificado de admissibilidade.
Contacto de novo os serviços. Conto o que acontece. Pergunto se não será possível, uma, duas, três - as pessoas que entenderem - fazerem uma declaração (essa sim no notário), garantindo que se trata da mesma pessoa.
Dizem que não. Tem mesmo que ser uma declaração da senhora.
O desgaste da burocracia é assustador. E eu pergunto: será que os herdeiros testamentários têm poder para autorizar o uso do nome de Guilhermina Suggia?! Que outro poder poderão ter senão aquele que o próprio testamento lhes confere?
E se fôssemos registar a Associação a Londres? Se calhar seria mais fácil.
Por mais que diga que pretendemos fazer bom uso do nome de Guilhermina Suggia, dizem que terá que haver autorização porque pode vir alguém reclamar a autorização para o uso do nome de GUILHERMINA SUGGIA.
Somos tão pequeninos!!! E começo a ficar farto - ainda nada começou!

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